BD à Bá: Entrevista com Valjean

Entrevista a António Valjean, publicada na Zona Gráfica Volume 1, revista alternativa de BD e ilustração nacional do projecto ZONA.

Valjean é um ilustrador e banda desenhista português que começou cedo a interessar-se pelas artes gráficas. Quando aos 3 anos pediu ao pai o seu primeiro livro de BD, coisa que na altura não só era rara como também dispendiosa, era já possível ver que havia nele uma paixão inata que começava a ganhar expressão.

Anos mais tarde, concluiu o curso de Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e ingressou no Grupo de Banda Desenhada da Sobreda (Almada), do qual hoje é presidente. Publicou em vários fanzines, jornais e livros técnicos e hoje desenvolve actividade profissional como ilustrador e concept artist.

É um dos bons valores do espólio nacional de autores, com uma versatilidade surpreendente e um currículo invejável, tendo inclusivamente dado formação a 2 outros talentosos artistas de uma geração mais recente: Ricardo Cabral, Bruno Balixa e Filipe Andrade. Fomos saber um pouco mais acerca do seu percurso e influências.

Sendo tu um dos autores mais experientes já publicados na revista Zona, como classificas o teu percurso até aos dias de hoje?
Sinceramente, o meu percurso tem sido razoável. Sempre desenhei BD quase desde que me conheço, com parcerias de amigos de infância que também eram fanáticos por banda desenhada. Sempre guardámos esses trabalhos para nós e não mostrávamos a ninguém.

Foi acima de tudo uma boa aprendizagem, embora se não tivesse ingressado no GBS (Grupo de Banda Desenhada da Sobreda) acho que não estaríamos a ter esta entrevista. O fazer imensa ilustração tanto para livros técnicos como para publicações infantis deu-me um bom ritmo para entrar definitivamente na BD.

Penso sinceramente que foi através dessa minha capacidade de desenhar que arranjei sempre trabalho, fosse em pequenos ateliers de design assim como em empresas maiores do mesmo ramo. E em todos fiz ilustração e também Banda Desenhada.

O teu nome está intimamente ligado ao núcleo da Sobreda. Fala-nos desse grupo e do seu estado actual.
O GBS existe desde 1982 e, vivendo com alguns altos e baixos, conseguiu sobreviver até aos dias de hoje. Estivemos parados durante dois anos pois houve muita malta do grupo que saiu por razões escolares e também pessoais.

Resolvemos então fazer uma pausa, neste momento estamos a preparar as coisas para voltarmos a ter exposições, e o principal, estamos a fazer obras na sede. O grupo e o Festival Sobreda BD são mais conhecidos no estrangeiro do que no nosso próprio país, embora já tenhamos feito muitas exposições por todo o Portugal. 

Essa é a principal função do GBS: divulgar a BD a nível nacional e levar a mesma onde não haja nenhuma espécie de eventos deste género. O mês passado tivemos uma exposição em Montargil e uma palestra sobre ilustração e BD. 
Temos também edições, os Cadernos Sobreda BD (álbuns que são normalmente lançados com o evento da Sobreda) e o Almada BD Fanzine (este irá sofrer alteração de nome porque vai passar a ser um livro do formato da Zona).

Neste momento andamos em negociações com a Junta de Freguesia de Sobreda e com a Câmara Municipal de Almada para assinar um protocolo e definirmos estratégias já para este ano e anos vindouros.


Como te sentes ao veres autores que já foram teus alunos, a seguirem carreira na banda desenhada?
Honestamente, deixa-me felissíssimo. Pelo menos três casos de artistas que estão a trabalhar na área e a produzirem bons trabalhos (na minha opinião, com qualidade mundial). Os casos do Filipe Andrade, Bruno Balixa e Ricardo Cabral são disso exemplo.

E sinceramente dá-me imenso gozo e orgulho vê-los a produzir desta forma, é simplesmente delicioso. Fico tão orgulhos por eles como se fosse comigo e para além do mais são bons amigos. Portugal precisa de bons autores e principalmente modernos, porque a nossa BD é maioritariamente histórica.

Não quero dizer com isto que não haja mérito nos outros trabalhos, pelo contrário, mas definitivamente para os leitores comprarem Banda Desenhada tem de haver sangue novo, bons argumentos e boa arte.

Quais os artistas que te influenciaram a ti e à tua arte?
Tenho algumas influências, principalmente americanas, mas o primeiro de todos foi John Byrne. Depois tenho como referências Dan Norton, Joe Madureira, Ale Garza, Alvin Lee, Chris Bachalo, Hyung Taekim, Pierre Poulpi, Roger Cruz… entre outros. Penso que estes são os principais.

D.R.;

O que podemos esperar deste teu novo e enigmático personagem: o Catacumba?

O Catacumba já tem um par de anos, como muitas personagens que tenho mas que estão ainda na gaveta. As aventuras do Catacumba são uma mistura de “Van Helsing” com “Indiana Jones”, isto para tentar qualificar o tipo de estória. Estas estórias são passadas no tempo presente, apenas nesta primeira parte do argumento viajamos ao passado para podermos entender a origem do personagem.

Espero sinceramente que quem leia estas aventuras tenha tanto gozo, quanto eu tenho em dar-lhe vida e poder partilhar com os leitores este mundo. O que se pode esperar deste personagem é muita aventura, tiros, artes marciais e o resto é segredo…

 

Para saber mais acerca do trabalho de António Valjean, consulte os seguintes links:

http://cargocollective.com/valjeanartwork

http://valjeanartwork.wordpress.com/

http://www.behance.net/valjeanartwork

 

André Oliveira

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