BD-Á-Bá: Filipe Pina, argumentista de BD e co-fundador da Seed Studios, fala-nos sobre ‘Under Siege’

 

Filipe Pina é um nome conhecido e respeitado no panorama bedéfilo nacional há já alguns anos, sobretudo pelo álbum “BRK” (ASA, 2009), pela participação em “City Stories Lodz” (2010) ou até pela curta “Analepse”, publicada no fanzine Venham +5 e premiada em 2009 com o Prémio de Melhor Curta pelos VII Troféus Central Comics.

Um autor que vem conquistando terreno no que ao argumento diz respeito no nosso país e cujas colaborações têm sempre, ou quase sempre, um elemento comum: o desenhista Filipe Andrade.

De uma amizade que remonta à adolescência nasceu uma equipa de sucesso nos vários projectos em que participa e que promete continuar a trazer qualidade às obras “made in Portugal”.

Mas Pina não é apenas argumentista de BD, é também co-fundador e produtor na Seed Studios, uma empresa nacional focada no desenvolvimento de videojogos. E foi exactamente acerca de um jogo, “Under Siege”, o primeiro português para PS3, que lhe lançámos algumas perguntas e quisemos saber mais…

 

Qual o balanço que fazes até à data acerca da aceitação ao jogo “Under Siege”? Correspondeu às espectativas?

A nível pessoal é muito gratificante conseguir chegar ao ponto que chegámos principalmente porque aprendemos a fazer tudo pelos nossos próprios meios. Foram 3 anos de trabalho com o Under Siege mais todo o processo de aprendizagem que foi a criação da nossa empresa Seed Studios Lda.

As expectativas colocámos há muito tempo atrás bastante em baixo para não termos decepções, é preciso compreender que antes de existir a Seed Studios em 2006 e posteriormente o Toy Shop, Under Siege e outros jogos, falhámos várias vezes com projectos que não viram a luz do dia.

No entanto tudo valeu a pena porque a aceitação do Under Siege foi muito boa, existem milhares de jogadores de PlayStation3 que gostaram muito de jogar o nosso jogo.

Também ganhámos vários prémios em Portugal e concorremos pela primeira vez no IGF 2012 lá fora, algo que seria impensável há uns poucos anos atrás.

 

Sendo tu argumentista de BD, achas que isso foi determinante para a criação de um jogo com uma componente narrativa tão rica a nível criativo? Fala-nos um pouco desse universo.

É importante realçar que o universo Under Siege foi imaginado pelo Bruno Ribeiro que foi designer neste projecto, as minhas responsabilidades como produtor foram as de garantir que conseguíamos idealizar este universo em videojogo.

Não deixa de ser determinante o facto de eu, o Bruno e o Jeff (Director Artístico) consumirmos BD regularmente, o que foi muito importante no desenvolvimento artístico com o resto da equipa. Eventualmente a BD acaba por ser, juntamente com o cinema e a literatura, uma fonte de inspiração.

Já a um nível mais pessoal e criativo, eu tive várias funções dentro da nossa equipa que me permitiram expressar e criar dentro das restrições impostas pelas regras em que vive o Under Siege, nomeadamente na criação dos níveis e montagem das sequências de história escritas pelo Bruno.

Já com a BD do Under Siege o caso foi diferente, estive mais à vontade para escrever e criar o prólogo daquela história com o que acabaria por se tornar a introdução a este universo através de quatro personagens e da sua pequena viagem pelas montanhas geladas onde decorre depois posteriormente a história do jogo.


Filipe Pina com Filipe Andrade (à esquerda) 

O Filipe Andrade, com quem colaboras regularmente, esteve envolvido no projecto e na BD promocional. Como classificas o papel dele em todo o processo?

O papel do Andrade na BD foi fundamental, não só para nós como também para ele. No nosso caso era extremamente importante darmos o trabalho a alguém que confiássemos a 100%, capaz de fazer o que queríamos e como eu já tinha trabalhado antes com o Andrade foi bastante fácil a decisão.

Estabelecemos também logo de início a regra de que cada página poderia levar alterações para ficar melhor e em último caso ser redesenhada o que acabou por acontecer algumas vezes.

E no caso dele foi ainda mais importante pois esta foi a primeira vez que ele teve um trabalho pago à página.

É importante também mencionar o trabalho fantástico do Pedro Pitéu que coloriu as 24 páginas e, tal como o Andrade, fez e refez algumas pranchas até ficarem com a qualidade final.

 

Este jogo enche mais as medidas aos apaixonados dos videojogos, da BD ou a ambos? Esse balanço influenciará as futuras edições do projecto (se é que estão contempladas)?

Este videojogo é claramente dirigido aos entusiastas de videojogos, a Banda Desenhada do Under Siege apenas surgiu como forma criativa de apelar aos fãs de BD e ao mesmo tempo satisfazer a nossa vontade colectiva de ter uma Banda Desenhada baseada numa das nossas criações.

Quanto a existirem futuras edições do jogo irá apenas depender das vendas.

Já para a BD, houve uma altura que houve bastante interesse de uma editora internacional de publicar três volumes de 64 páginas, mas infelizmente teríamos de ser nós a investir, coisa que não foi possível.


 

E a Seed Studios? O que devemos esperar da produtora no futuro?

Mais videojogos! A seguir ao Under Siege lançámos um pequeno jogo para iPhone chamado R3 em Novembro de 2011 e, neste momento, estamos até ao final de Fevereiro a tentar fechar um outro negócio que não posso ainda revelar.

Queres deixar alguma mensagem a quem só agora conheceu a existência de “Under Siege”?

Claro! O Under Siege é o primeiro videojogo para PlayStation3 criado em Portugal. É um jogo de estratégia em tempo real para 1 ou 4 jogadores e está à venda na PlayStation Store por 9.99€

A Banda Desenhada está já à venda e vem incluída no livro “A Arte de Under Siege” publicado pela Asa e à venda nas livrarias, Fnac e no site online da Asa.

Para mais informações sobre o Under Siege visitem-nos na página oficial. Se quiserem uma opinião mais isenta leiam a análise do Eurogamer.

Para falarem connosco directamente podem sempre dar um salto naquela rede social.

 

Como nota final, continuem a acompanhar as novidades da Seed Studios no portal desta produtora portuguesa de videojogos.

 

André Oliveira

 

aproveite ainda para ler:

entrevista com António Valjean, autor e ilustrador de BD

IX edição dos Troféus Central Comics

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Fistful of Fanart – Montra de Talento Nacional

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