Destaques: Especial Eurobest – Artigo de Opinião de Rui Simões, Copywriter Director da Santa Fé

Rui Simões, Copywriter Director na Santa Fé Associates e autor do blogue Pena Frenética, aceitou o desafio do portal Ave Rara e assina esta sexta-feira um artigo de opinião dedicado à temática da Criatividade, num ensaio que serve para assinalar o Eurobest, a maior competição europeia da indústria publicitária, de marketing e de comunicação.

O Eurobest, que se realiza entre 28 e 30 de Novembro, pela primeira vez em Lisboa, vai distinguir o melhor da indústria criativa europeia, com 13 categorias em competição, e oferecer três dias de formação, com 23 seminários ao longo do evento.

 

Acreditas em coincidências? Boa ideia.

Como é que surge uma ideia em publicidade? É uma coincidência. Uma coincidência de muitas coisas juntas. Em primeiro lugar, a inspiração precisa de encontrar a transpiração. Por outras palavras, é preciso trabalho, muito trabalho. As ideias não aparecem no duche. Quer dizer, até aparecem, mas não é porque usamos champô relaxante.

É preciso alimentar o cérebro. Alimentar o cérebro com matéria-prima. E em comunicação publicitária, este é um ponto demasiado importante para ser descurado pela classe. Há objectivos a cumprir, há mensagens muito claras a passar, há que captar a atenção, cada vez mais selectiva dos consumidores.

E grande parte desse alimento vem do briefing (convém), mas se não vier, é preciso ir pesquisar, fazer o TPC, perder umas horinhas a ler ou ver sobre o assunto. E mesmo o Facebook ou outra qualquer rede social, pode dar informação relevante.  Depois há que ficar receptivo a que ‘do ar’ surjam estímulos e ligações aparentemente antagónicas, que nos façam ver a luz.

No trabalho criativo, nomeadamente em publicidade, branding, ou noutra disciplina qualquer da comunicação, a inspiração vem de tudo e de todos. Da notícia de jornal, do acontecimento que anda nas bocas do mundo, da conversa que se ouviu no metro ou os movimentos arquetípicos do dia-a-dia.

Tudo, mas mesmo tudo, pode ser ponto de partida para facilitar a chegada da ideia. E quantas vezes, é aquela palavra ou aquela expressão de ‘bom dia’ no café da esquina a peça que faltava para fechar o circuito e gritar ‘É isso!’?  Pequenas coincidências, portanto.

E para obrigar o cérebro a ir à procura da ideia, se ela teima em não aparecer, ainda podemos forçar relações e começar as frases por ‘E se’. E se o dia fosse noite? E se a vida começasse aos 40? E se o mundo fosse governado por crianças? E se as vitórias se comemorassem com água? E se amanhã fosse hoje? As respostas são caminhos, os caminhos são ideias ou formas de lá chegar.

Depois, ainda há outro factor, bem mais cliché. Manter a cabeça aberta, mas não tão aberta que ideias passem apenas por ela. Não. É manter-se receptivo, mandar os preconceitos dar uma volta, guardá-los na gaveta. É não evitar o confronto de opiniões diferentes.

É deixar que certas coisas, que se cruzam em certos lugares, no cérebro ou na rua, possam ser felizes coincidências. Enfim, as boas ideias, como as que por estes dias se vão distinguir no Eurobest, passaram por caminhos destes. Coincidência? Com certeza que sim. Boa ideia. 

 

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