BD-À-Bá: Zona, a história de um projecto de BD e ilustração

Para quem não conhece, o projecto Zona é o produto de um esforço colectivo no âmbito da ilustração e da BD com a chancela da Associação Tentáculo, um núcleo associativo sem fins lucrativos.

Esse esforço é materializado na forma de uma revista alternativa que conta já com uma série de edições e que promete continuar, sempre em constante mutação, tendo como editores três autores de banda desenhada: Fil, André Oliveira e Miguel Peres.

Cada número tem um tema diferente, normalmente associado a um qualquer festival onde a revista é apresentada ao público, e conta com histórias curtas de BD ou com ilustrações fundamentalmente de autores portugueses (embora esporadicamente também participem outros artistas estrangeiros, nomeadamente de Espanha, Brasil, E.U.A., Argentina…).

A ideia é mostrar uma espécie de tubo de ensaio, onde artistas mais novos convivem com outros mais conhecidos, para o desenvolvimento deste tipo de expressões artísticas no nosso panorama.

Sendo um projecto nacional que vale a pena conhecer, vamos então a um pouco de história…

A Zona apareceu em 2009 sob a alçada de Fil, que após ter assistido ao lançamento do fanzine “Murmúrios das Profundezas” começou a sentir-se determinado em criar a sua própria publicação.

Inicialmente a ideia era incluir apenas trabalhos seus mas cedo percebeu que o projecto poderia ter ainda mais viabilidade e força se se aliasse a todo um leque de novos autores nacionais (e não só) que não conheciam ainda plataformas que lhes permitissem mostrar os seus trabalhos.

E foi num blogue que o projecto começou a dar os primeiros passos: desde o nome ao logótipo (criado por Eduardo Monteiro), desde as colaborações às sugestões, com a participação virtual de vários artistas que viriam mais tarde a integrar a revista.

Nascia então o ainda fanzine Zona Zero (capa do próprio Fil) que seria mais tarde apresentado no Festival Internacional de BD de Beja. Uma edição com uma qualidade acima da média para uma publicação independente, com cerca de 40 páginas a cores entre autores nacionais e alguns estrangeiros.

Dado o sucesso do primeiro lançamento, estava provado que o projecto era para continuar. E não demorou muito até que Fil desenvolvesse mais uma parceria para lançar o número seguinte, desta vez com o festival de cinema de terror MOTELx.

O novo número chamar-se-ia Zona Negra (capa de Eduardo Monteiro) e seria o primeiro a respeitar um único tema, “o terror”, com cerca de 50 páginas a preto e branco.

Na apresentação ao público, realizada pelo ilustrador e banda desenhista João Maio Pinto,  em pleno cinema São Jorge, fez-se notar uma maior afluência de artistas e apoiantes, claro indício de que a publicação estava definitivamente no bom caminho.

No número seguinte, o primeiro que contou com o argumentaste André Oliveira também como editor, a já revista alternativa de BD e ilustração Zona Fantástica (capa da autoria de Carla Rodrigues) foi apresentada em 2010 no festival de cinema fantástico Fantasporto.

Era o maior número até à data, cerca de 80 páginas a cores com muitos autores repetentes e ainda mais estreantes. Além disso, foi também o primeiro número a figurar nas estantes da FNAC entre outras livrarias da especialidade.

                   

E como “os bons filhos à casa tornam”, a Zona regressou ao Festival Internacional de BD de Beja com uma nova revista no certame de 2010. A Zona Gráfica foi a segunda, depois da Zona Zero, a não ter um tema definido e a primeira a ser lançada em dois volumes: volume I com 106 páginas a preto e branco (capa de Z! ou, se preferirem, José Pinto Coelho) e o volume II com 52 páginas a cores (capa de Manuel Alves).

Esta nova Zona apresentava ainda mais duas novidades que se iriam manter para os números posteriores: uma secção de entrevistas e a inclusão de textos literários ilustrados.

Era cada vez maior o número de autores, alguns deles mais conhecidos como Richard Câmara ou Filipe Andrade, e o projecto começava a conquistar o seu espaço no panorama editorial português (pelo menos no que à banda desenhada dizia respeito).

Ainda em 2010, era publicada a Zona Negra 2 (capa de Ricardo Reis) e apresentada ao público no Festival de BD da Amadora. O tema continuava a ser o terror, embora não se tenha repetido a parceria com o MOTELx, e desta vez contava com cerca de 100 páginas a preto e branco.

Portanto, e como seria de esperar, a sequela era um enorme upgrade e bem mais maduro do que aquele que fora o seu antecessor.

Em 2011, surgiram até à data duas publicações.

Primeiro, a Zona Monstra (capa de Filipe Andrade) apresentada no programa do festival de cinema de animação com o mesmo nome, curiosamente na mesma sala do São Jorge onde fora lançado uns meses antes a Zona Negra.

O tema das suas 92 páginas a cores era, como não podia deixar de ser, “os monstros”, e o lançamento contou com a exibição de curtas de animação realizadas por alguns dos autores e também por outras novidades.

Depois, e já com Miguel Peres a compor o trio de editores, a Zona Gráfica 2 que surgiu um ano após o lançamento da sua antecessora. Trata-se do número mais recente, apresentado uma vez mais no Festival de Beja, com 68 páginas a preto e branco sem um tema específico mas com várias técnicas e abordagens gráficas.

A capa é de Pedro Carvalho, assim como a entrevista desta edição, e além de autores já habituais conta ainda com outros que fazem a sua estreia, muitos deles brasileiros.

Depois de ganhar o prémio de “Melhor Projecto de BD” nos XVIII Troféus Central Comics, a Zona continua a marcar presença no mercado da BD nacional de uma forma consistente e evolutiva.

Além da FNAC e dos festivais de BD, a revista pode ser encontrada em muitas lojas da especialidade e até pode ser encomendada por e-mail com portes oferecidos (para consultar os pontos de venda e o endereço para as encomendas, convém visitar o blogue do projecto).

Para um futuro próximo, está prometida a Zona i.1, uma revista especial com alguns dos trabalhos já publicados traduzidos em inglês para ser disponibilizada num site de print on demand.

 

A título de curiosidade, fica a lista de autores já editados:

Abel

Adelina Menaia

Alexandre Manoel

Ana Duarte Oliveira

Ana Vidazinha

André Adónis

André Caetano

André Lima Araújo

André Oliveira

António Agonia Sampaio

António Valjean

Bárbara Lourenço

Bruno Bispo

Caio Majado

Cari Shrine

Carla Rodrigues

Carlos Páscoa

Catarina Guerreiro

César Évora

Cristiano Baptista

D. Ramirez

Daniel “Pez!” Lopez

David Lopes

Diana David

Diana Waldshreck

Diogo Campos

Eduardo Monteiro

Eric Ricardo

Fil

Filipe Andrade

Filipe Coelho

Filipe Duarte

Gabriel Martins

Geoff Sebesta

Gustavo Carreira

Hugo Teixeira

Igor Shin

JB Martins

JCoelho

Joana Afonso

João Amaral

João Ataíde

João Figueiredo

João Raz

João Sousa

João Vasco Leal

Justin Humphries

Locato Buscaglia

Luís Lourenço Lopes

Manuel Alves

Manuel Morgado

Marc Figueiredo

Marcelo Saravá

Maria João Careto

Mariana Perry

Matheus Moura

Miguel Gabriel

Miguel Santos

Nuno Amado

Nuno Frias

Patrícia Andrade

Paulo Marques

Pedro Carvalho

Pedro Nascimento

Quico

Roberto Macedo Alves

Ricardo Correia

Ricardo Reis

Ricardo Sousa

Richard Câmara

Rod!

Rodolfo Buscaglia

Rui Alex

Rui Ferreira

Rui Simões

Sebastián Luqué

Sónia Brochado

Sónia Carmo

Sónia Oliveira

Tiago Pimentel

Véte

Victor Freundt

Vinicius Posteraro

Xico Santos

Z! (José Pinto Coelho)

 

Para mais informações, consulte os seguintes links:

Blogue da Zona

Canal no Youtube

Blogue da Associação Tentáculo

 

André Oliveira

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